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Ideias & Factos: A corrida aos armamentos

Agostinho Dias - 01/06/2023 - 9:00

A guerra na Ucrânia teve como efeito uma corrida desenfreada aos armamentos: as 10 maiores empresas de armamento situadas na América e na Europa aumentaram o volume de negócios em 7,5% no último trimestre de 2022. Na última década, o conjunto dos países europeus aumentou em 30% os investimentos militares o que corresponde a mais de 350.000 milhões de euros. Só a Ucrânia consome mais de 20.000 projéteis de artilharia diariamente. A Nato está a exigir que os países membros aloquem um mínimo de 25 do PIB para a defesa; pelo menos 11 dos 30 países aliados já atingiram este objetivo. Em Portugal o orçamento deste ano prevê um aumento de 200 milhões na Defesa, que talvez façam muita falta noutros setores importantes.

Ninguém consegue parar esta corrida e as exigências e pedidos da Ucrânia são cada vez maiores. Penso que será altura de parara para refletir aquilo que em 1997 os bispos reunidos no Concílio Ecuménico Vaticano II nos deixaram escrito em documento profético:

Diz o n.º 78go Gaudium et Spes, documentos do Concílio Vaticano II: “convençam-se os homens de que a corrida aos armamentos, a que se entregam muitas nações, não é caminho seguro para uma firme manutenção da paz; e de que o pretenso equilíbrio daí resultante não é uma paz segura nem verdadeira. Corre-se o risco de que, com isso, em vez de se eliminarem as causas da guerra, antes se agravem progressivamente. E enquanto se delapidam riquezas imensas no fabrico de novas armas, torna-se impossível dar remédio suficiente a tantas misérias de que sofre o mundo atualmente. Mais do que sanar verdadeiramente e plenamente as discórdias entre as nações, o que se consegue é contagiar com elas outras partes do mundo. É preciso escolher outros caminhos, partindo da reforma das mentalidades, para eliminar este escândalo e poder-se retribuir ao mundo, liberto da angústia que o oprime, uma paz verdadeira.

Por tal razão, de novo se deve declarar que a corrida aos armamentos é um terrível flagelo para a humanidade e prejudica os pobres de modo intolerável.”

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