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Ideias & Factos: A política e os políticos

Agostinho Dias - 26/07/2018 - 8:35

Chegou ao fim mais um ano de atividades da Assembleia da República, com uma maratona de votações de diplomas reservada para o último dia antes das férias, alguns votados um tanto á pressa, apesar da sua importância para a vida dos portugueses. Também isto é efeito da não exclusividade de muitos dos deputados para estas funções. Não só a transparência política ganhava com essa exclusividade, como também os deputados teriam mais tempo e disponibilidade para os trabalhos da Assembleia da República, o órgão máximo da nossa democracia. Cada vez mais se nota que o fato de os parlamentares serem também advogados a defender clientes particulares, administradores, gestores ou consultores, ligados ao setor privado, cria suspeitas de uma “teia de negócios” propícios à corrupção, que não abona nada a favor dos políticos. O que digo dos parlamentares, também se aplica aos autarcas e governantes; embora muitos destes estejam sujeitos ao regime de exclusividade, têm as famílias com os seus negócios, e das quais eles não se conseguem separar totalmente”. A mulher de César não basta ser honesta, é preciso parecer”, e isso nem sempre é fácil. Facilmente se criam suspeitas de corrupção por compadrio, que não beneficiam nada a vida política, ou autárquica, nem a imagem dos políticos e autarcas.
O pior disto tudo é o descrédito que se vai criando e que leva as pessoas a desistirem da política, e dos políticos. Vejamos o exemplo da abstenção nas eleições: em 1975 foi de 8,3%, em 1985 de 25%; em 1995 de 33,7%, em 2005 de 35%; em 2011 de 41,9%. Nas últimas autárquicas já atingiu os 47,4%. Isto revela o grande desencanto e revolta dos portugueses com os políticos e os partidos.
Como diz o Papa Francisco: “rezo ao Senhor para que nos conceda mais políticos que tenham verdadeiramente a peito a sociedade, o povo, a vida dos pobres, procurando que haja trabalho digno, instrução e cuidados de saúde para todos os cidadãos”.

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