Segundo um estudo citado pela Comissão Nacional Justiça e Paz, em Portugal a Covid-19 deu origem a cerca de 400.000 novos pobres (um aumento 25%) e ainda as desigualdades cresceram em cerca de 9%... Portugal está assim entre os cinco países da União Europeia com maior risco de pobreza entre os trabalhadores, sobretudo pelo risco de desemprego.
A distribuição dos fundos vindos da PRR será uma solução, se forem bem aplicados na criação de novos empregos. Experiências do passado mostram que nem sempre a distribuição desse tipo de fundos se traduziu num autêntico desenvolvimento. Segundo o comunicado da Comissão Nacional Justiça e Paz “há que atender às causas da pobreza e não apenas aos sintomas. Há que fomentar o crescimento económico, mas também a igualdade de oportunidades” na educação e no serviço de saúde acessíveis a todos.
“Há que implementar políticas de redistribuição dos rendimentos para além do mercado. Os apoios aos rendimentos devem ser completados com programas sociais.”.
No passado dia 26 de junho, num discurso à Cáritas Italiana o Papa Francisco dizia: “Não nos deixa desanimar pelo número crescente de novos pobres e novas pobrezas. Há muitas e aumentam! Continuai a cultivar sonhos de fraternidade. Contra o vírus do pessimismo, imunizai-vos cultivando a alegria de ser uma grande família. Nesta atmosfera fraterna, o Espírito Santo, que é criador e criativo, e também poeta, hão-de surgir ideias novas, adequadas aos tempos que vivemos”.
Se há novos pobres, também há novos-ricos à custa da pandemia… nos laboratórios, na saúde houve muita gente a ganhar bom dinheiro à custa do vírus. Seria bom que olhassem para estes pobres a quem o vírus tirou os seus rendimentos.