A 1 de abril entrou em vigor o orçamento de Estado para 2020.
Feito numa altura em que nada fazia prever a atual crise do Covid, ”a sua aplicação vai ter de se ajustar ao novo contexto vivido”, diz o Presidente da República que o promolgou a 23 de março.
De facto previa um crescimento económico de mais de 2%, uma diminuição do desemprego, um excedente superior a 0,2% que foi o de 2019.
Com esta crise dá-se a queda do turismo para o grau zero, e com ela o fecho da hotelaria, restauração, arrendamento local, transportes, atividades de cultura e lazer; a nossa “galinha dos ovos de oiro”, apagou-se.
Com o recolher a casa e com o fecho das escolas, muitos trabalhadores tiveram de ir para casa tomar conta dos filhos, o que levou ao fecho de muitas empresas; destacamos o fecho da indústria automóvel que representava uma boa fatia das nossas exportações.
Aumentaram exponencialmente as despesas com a saúde e a segurança social, os precários foram despedidos dos empregos, muitas empresas entraram em lay-off concordatário, e nada disto estava previsto neste orçamento.
Apesar de haver uma almofada de 0,2% do PIB de 2019, se a crise se prolongar por vários meses, ela não vai ser suficiente para evitar uma queda no PIB entre 4% e 20% neste ano, e um aumento do desemprego até 13,5%, segundo o cálculo dos economistas da Universidade Católica.
Tudo depende do tempo que demorar a crise, que não é apenas de Portugal, mas de toda a União Europeia.
Só mantendo-nos unidas e coesos, sem lugar para aproveitamentos oportunistas, ou atos de corrupção, poderemos sair de cabeça erguida.