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Ideias e Factos: Os lares de idosos

Agostinho Dias - 16/04/2020 - 10:11

Segundo as estatísticas há mais de quatro mil portugueses, com mais de 100 anos; há ainda 657 mil entre os 80 e 99 anos. Muitos deles, estão em lares, residências para idosos, cuidados continuados, ou outras instituições parecidas. Nesta pandemia que vivemos tem-se notado como o vírus se torna perigoso quando entra numa destas instituições. O perigo de contágio é real e quase inevitável. E porquê? Porque em muitas delas os utentes não estão em quartos individuais, ou no máximo de duas pessoas com casa de banho em cada quarto, de modo a poderem ser isolados, mas em camaratas de 3, 4 e mais pessoas, sem possibilidade de isolamento e com 2 ou 3 casas de banho para toda a casa.
Isto vai contra o direito à privacidade que todo o ser humano deve ter. Arrumar pessoas no mínimo espaço possível, não é acolhê-las, mas sim armazena-las. As pessoas, e sobretudo as idosas, precisam de ser acolhidas e não armazenadas. Obrigá-las a deixar os objetos que fizeram parte da sua existência, privá-las do direito a receber na intimidade familiares e amigos é fazer violência sobre quem não é capaz de se defender.
Todos sabemos que os lares são “um mal” necessário, já que nem sempre é possível aos idosos terem o acolhimento e aconchego dos filhos e netos, em família. Mas que sejam verdadeiros lares, com os serviços necessários, e não arrecadações onde se arrumam os idosos. É preciso a sociedade investir nestas instituições, não só para acolher pessoas com capacidade económica para pagar as suas despesas, mas também para pessoas que não tenham essa capacidade. É a “economia que mata”, como diz o Papa Francisco: dá-se prioridade ao que dá mais votos, ao que é mais vistoso, e deixa-se o pequeno necessitado que não tem qualquer poder.

 

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