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Editorial: Música para ... os ouvidos!

Artur Jorge - 08/08/2024 - 17:32

As expressões feitas do “combate às assimetrias” e da “discriminação positiva” há muito que se tornaram música para os nossos ouvidos. Andaram anos a fio nas vozes dos nossos políticos e não tardaram a entrar no vocabulário de outros decisores, como os desportivos. Já lá vamos…
Com melhores acessibilidades, a melodia passou a ser “em duas horas, metemo-nos aqui e ali”. Logo a seguir, impuseram-nos as portagens e em cada deslocação a música passou a ser a do identificador dos pórticos a debitar euros. 
A Saúde está doente. É assunto mais sensível e generalizado. E, na Educação, os nossos jovens debandam para os grandes centros universitários. Depois, vem o Desporto. Olhamos para o mapa do país e o que vimos? Uma autêntica fratura a dividir o país na vertical. 
Um dirigente da nossa praça, há algum tempo, alertava os senhores do futebol: “dentro de pouco tempo seremos só cinco ou seis da A1 para cá”. Corre apenas o risco de se enganar por excesso. E já não falamos das “ligas”. Basta olhar o Campeonato de Portugal. Ou o mapa do futsal, onde – aplausos – Fundão, Eléctrico e Ferreira do Zêzere são ilustres resistentes na 1.ª divisão e Boa Esperança, Ladoeiro e Retaxo casos quase isolados em todo o interior do país. Mas podemos falar de andebol, basquetebol ou outra modalidade coletiva. 
Falam em medidas, planos estratégicos, visão futura…E os clubes? O apoio direto aos clubes? É que a “discriminação positiva” também já virou música.
Amanhã, pode ser tarde.

Artur Jorge
Jornalista

 

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