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Ideias e factos: A apanha da azeitona

Agostinho Dias - 06/12/2018 - 10:02

Nos campos da Beira Baixa vive-se a faina da colheita da azeitona. Já não se ouve o cantar da “solidão”, nem o eco das “vivas ou das zurras” de outrora, porque o trabalho é feito por sexagenários e não por jovens; só aos fins de semana a coisa anima um pouco. Segue-se o método da escada e dos panais, já que as cervicais ou os braços não aguentam o peso das varas mecânicas, nem os olivais estão preparados para a colheita com máquina. Dada a grande oferta e pouca procura da azeitona, ou do azeite, o preço do preço do produto não dá para pagar sequer a colheita feita deste modo; isso faz com que muita azeitona fica sem ser colhida, até porque há produtores “afogados em azeite” dos anos anteriores. A “ funda” é fraca já que no geral são precisos mais de 12 Kg de azeitona para fazer um litro de azeite. Comprar um calibrador e guardar a mais grossa em água, parece ser a maneira de poder rentabilizar a azeitona, se daqui a uns meses houver quem a compre a um preço razoável.
Este trabalho já não é a festa dos meados do século passado com os ranchos acampados, cantando e fazendo festa. Já não termina com o jantar da “esfrega”, em que se bebia do vinho novo, se comiam as papas, à sobremesa e terminava com o “balho”, ao som do realejo, do harmónio, ou da concertina, com as cantigas à desgarrada em que os mais atrevidos faziam versos de escárnio e maldizer; já não se vêem os ramos de oliveira que eram oferecidos aos patrões, para os rechearem com notas de vinte. Nos lagares já não se comem as tibórnias de antigamente, nem o mestre apura o azeite na tarefa. É tudo mais sofisticado, mas o produtor não fica mais rico com a sofisticação, mesmo que consiga vender o que produz.
Tudo isto nos faz parecer que estamos a chegar ao fim deste tipo de olival, deste tipo de colheita, deste modo de fazer e comercializar o azeite. Esperamos que venham dias melhores…

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