O governo português acaba de publicar várias medidas para ajudar a mitigar o aumento do custo de vida: redução para zero do IVA dos bens alimentares essenciais, um apoio de 30 euros mensais às famílias mais pobres e um complemento extraordinário de 15 euros por criança e jovem para os beneficiários do abono de família. Como sempre há quem elogie estas medidas e quem as critique. O P. Jardim Moreira da Rede Europeia Anti-Pobreza diz que não deixam de “ser resposta de emergência” mas ainda assim são “uma resposta positiva às famílias e às pessoas com mais dificuldades”.
Mais positivo parece ser o aumento salarial da função pública com mais 1% este ano, revendo assim o acordo assinado em Outubro passado, bem como o aumento do subsídio de refeição para 6 euros a partir de abril. No entanto para a CGTP “o que ressalta imediatamente quando o governo anuncia estas medidas é que o governo passa ao lado daquilo que são as soluções para os problemas que estamos a viver, designadamente, o aumento geral do salário de todos os trabalhadores, o aumento do salário mínimo nacional, o aumento das pensões de reforma e o controle dos preços, com efetiva taxação dos lucros brutais que as grandes empresas e os grupos económicos estão a ter”.
Na semana em que foi sepultado Rui Nabeiro, o empresário que procurava criar riqueza com as suas empresas, mas ao mesmo tempo criar postos de trabalhos, dar remunerações justas e dignas aos seus trabalhadores, a quem conhecia pelo nome e se preocupava com os seus problemas familiares, há ainda muito a aprender por parte dos nossos empresários que só preocupam com o lucro obtido às vezes explorando os outros e fugindo aos compromissos sociais. Não se deve dar de esmola aquilo que é devido por justiça. Os apoios por vezes “cheiram” a esmolas dadas aos mais carenciados…
A Presidente da Cáritas Portuguesa diz que “estas medidas não vão contribuir para diminuir as situações de pobreza, vão diminuir a emergência social em que vivemos”. “Dar balões de oxigénio obviamente que é bom, mas não é suficiente”, diz Isabel Jonet.
Agostinho Dias
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