Em Portugal os tribunais têm atitudes diferentes perante a pequena e a grande corrupção. Os processos da pequena corrupção são instruídos em pouco tempo e vão céleres a julgamento, como deveria ser sempre. Que o diga o presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco… Quando se trata de ministros, gestores ou banqueiros, indiciados na corrupção em grande escala, passados 7 ou 8 anos, ainda nem se sabe se o caso vai a julgamento. Que o diga José Sócrates ou Ricardo Salgado, só para dar dois exemplos. É como diz o povo: quem rouba uma galinha é logo julgado e preso, quem assalta e rouba o aviário está eternamente a aguardar julgamento.
O crime grande ou pequeno é sempre crime e deve ser tratado de igual modo quanto ao seu julgamento. A pena é que deve ser maior ou menor na proporcionalidade do crime cometido. Só deste modo a justiça será equitativa e imparcial, igual para com todos. Eu sei que não é fácil provar os crimes de corrupção, desmontando os esquemas fraudulentos utilizados pelos corruptos para esconder o rasto do dinheiro. Eu sei que os corruptos, como têm dinheiro, utilizam todos os processos dilatórios para atrasar a justiça até prescrever o crime. Como diz o Papa Francisco “o corrupto nunca se arrepende do crime cometido”. A lei é talvez demasiado permissiva ao deixar utilizar estes esquemas. Mas que ajustiça não seja permissiva e morosa é o que temos de exigir.