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Ideias e factos: A crise grisalha

Agostinho Dias - 07/11/2019 - 9:42

Não é fácil ser idoso em Portugal, onde há 35 mil a viver em instalações à margem da lei. Mesmo assim a Segurança Social fechou todos os meses as portas a 10 lares ilegais, durante o ano corrente; também aconteceu no concelho de Castelo Branco. Já fechou 93 lares ilegais ao todo. De facto as instalações legais sejam da segurança social, sejam de instituições particulares, sejam das misericórdias, têm listas de espera quase intermináveis. Faltam lares, centros de dia ou de noite, cuidados continuados para satisfazer a enorme procura que existe. O resultado é os idosos viverem  nas aldeias sozinhos, ainda bem que sinalizados pela G.N.R., o que não os livra de frequentemente serem encontrados em casa pelos vizinhos, já mortos ou gravemente doentes.
Felizmente que todos vão tendo uma casa sua, ou de algum filho para aí poderem habitar; em Lisboa com a crise habitacional, o número de casos urgentes, de quem ficou sem casa, está a crescer assustadoramente. Só em 2018 a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa teve de ajudar em cerca de 2 mil casos. Só os lares caros, com mensalidades acima dos 2.000 euros é que têm vagas, mas com as reformas da nossa gente quem poderá pagar estas quantias?
Quem trabalhou duramente tantos anos para criar e educar os seus filhos o melhor possível vê-se deste modo no final de vida sozinho, sem alguém que o acolha de modo conveniente… O pior é que parece que a solução para alguns é a eutanásia ou suicídio assistido: - quem não está contente com a vida acabe com ela, de modo digno, ou de modo indigno, pouco importa…
Isto não é solução!

 

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