A partir do dia 1 de julho têm de ser pagos aos bancos os créditos pessoais que até aqui estavam sob o regime das moratórias.
O mesmo acontece com os créditos à habitação a partir do mês de setembro.
Há em Portugal mais de 47 mil devedores que beneficiaram, desde o início da pandemia, da moratória privada da Associação Portuguesa de Bancos; há também mais de 230 mil famílias ainda com moratórias nos créditos à habitação.
A Deco alerta para a necessidade de os que não puderem pagar estes créditos, e são certamente muitos, e tentarem entrar em negociação com as entidades bancárias a fim de planearem este pagamento.
Uma altura em que a justiça parece estar a acordar para o julgamento dos grandes devedores à banca, esperamos que esse número não venha a crescer com todas estas moratórias.
Não devemos esquecer que os bancos falidos já levaram milhões de euros dos nossos impostos, e não há fim à vista.
Os bancos emprestam dinheiro a troco de juros, e não estão para dar dinheiro aos “espertos” deste país.
Diz o n.º 178 do Fratelli Tutti: “a grandeza política mostra-se quando, em momentos difíceis, se trabalha com base em grandes princípios e pensando no bem comum a longo prazo”.
Foi isto que aconteceu neste momento difícil para muitas famílias que foi o tempo da pandemia que obrigou ao encerramento de muitas atividades. Mas como dizem “os bispos de Portugal a terra é um empréstimo que cada geração recebe e deve transmitir às gerações seguintes”.
É esta transmissão que é preciso assegurar e não o aproveitamento indevido a favor de alguns.