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Ideias e Factos: A dignidade do trabalho

Agostinho Dias - 04/05/2023 - 9:24

O Instituto Nacional de Estatística divulgou que o Produto Bruto Interno cresceu 2,5% no primeiro trimestre de 2023 para o mesmo período do ano passado e 1,6% face ao trimestre anterior. Este crescimento deve-se sobretudo às exportações de bens e serviços que aumentaram 13,3%, e a um abrandamento das importações que apenas aumentaram 8,7%. Este aumento das exportações fica-se a dever sobretudo ao turismo, à indústria do calçado, das confeções, dos automóveis e de algumas indústrias transformadoras ligadas à agricultura na área do vinho, azeite, cortiça ou queijo. E se para desenvolver estas áreas foi importante o investimento feito, nem é menos importante a ação dos trabalhadores destes setores, verdadeiros criadores da riqueza produzida. Como dizia Rui Nabeiro, “os trabalhadores são a principal riqueza duma empresa”. Hoje já se vai valorizando o trabalhador especializado na sua área, mas esses não chegam para cobrir todas as encomendas. Quanto aos trabalhadores não especializados, ainda há muitos no desemprego, ou com salários mínimos a recorrer aos serviços da Cáritas, da Cruz Vermelha, das Santas Casas, de Instituições Sociais, para poderem sobreviver. Na passada segunda-feira celebrámos mais um 1.º de maio, dia do trabalhador. De muitos modos foi realçada a importância do trabalho na atividade humana e sob muitos pontos de vista. Também a Igreja Católica tem uma vasta doutrina sobre este tema.
Diz o nº. 6 da Carta Apostólica Patris Cordi do Papa Francisco:  
“O trabalho torna-se participação na própria obra da salvação, oportunidade para apressar a vinda do Reino, desenvolver as próprias potencialidades e qualidades, colocando-as ao serviço da sociedade e da comunhão; o trabalho torna-se uma oportunidade de realização não só para o próprio trabalhador, mas sobretudo para aquele núcleo originário da sociedade que é a família. Uma família onde falte o trabalho está mais exposta a dificuldades, tensões, fraturas e até mesmo à desesperada e desesperadora tentação da dissolução. Como poderemos falar da dignidade humana sem nos empenharmos para que todos, e cada um, tenham a possibilidade dum digno sustento?
A pessoa que trabalha, seja qual for a sua tarefa, colabora com o próprio Deus, torna-se em certa medida criadora do mundo que a rodeia. A crise do nosso tempo, que é económica, social, cultural e espiritual, pode constituir para todos um apelo a redescobrir o valor, a importância e a necessidade do trabalho para dar origem a uma nova «normalidade», em que ninguém seja excluído. O trabalho de São José lembra-nos que o próprio Deus feito homem não desdenhou o trabalho”.
Agostinho Dias
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