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Ideias e factos: A epidemia da corrupção

Agostinho Dias - 04/07/2019 - 9:29

Ramalho Eanes, antigo presidente da república, diz que em Portugal grassa a “epidemia da corrupção” e culpa sobretudo os partidos políticos dessa situação, pois “os critérios do saber e da competência foram por vezes substituídos pelos da fidelidade política”. A afirmação surgiu depois de a União Europeia ter acusado Portugal de ser o país da União que menos recomendações aprovou na luta contra a corrupção. O nosso país foi mesmo acusado de estar no pódio da corrupção da União, com a medalha de bronze.
O problema não é novo: já em 28 de outubro de 1995, o governo liderado por António Guterres decretou o extermínio do “jobs for the boys”, pretendendo assim acabar com o compadrio, clientelismo, corrupção, tráfico de influências que se verificava no regime. De pouco valeu este decreto, se hoje olhamos para o que se passa: pai e filha, marido e mulher sentam-se no mesmo conselho de ministros, e isto sem falar em assessores, chefes de gabinete em perfeita consanguinidade. Não é normal que tantos presidentes de câmaras estejam a ser investigados por negócios em família. 
Apenas o Ministério Público tem lutado contra todas estas situações que vão desde um antigo primeiro ministro, a banqueiros, ministros, empresários, presidentes de câmara, etc. Tem a oposição de alguns políticos que se vêm denunciados e por isso até agora resolveram querer alterar a nomeação dos magistrados para o conselho superior do ministério público; ainda bem que não conseguiram. Se nas últimas eleições 76,4% dos portugueses não votaram, ou votaram nulo ou branco, deve-se a este descrédito por que passam os nossos políticos. “É preciso recriar a democracia permanentemente”, e é esse esforço que é pedido a todos nós.
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