Estão a surgir no mundo sinais inquietantes que provêm da gente conotada com nacionalismos populistas considerados de extrema direita. Eles estão-se a impor em países como a Hungria, a Itália, a Áustria, os próprios Estados Unidos e mais recentemente a Suécia; estão a surgir em campanhas eleitorais do Brasil e em manifestações de partidos da Alemanha. Em nome dos interesses nacionais rejeitam os estrangeiros emigrantes que acusam de crimes, consideram os negros preguiçosos, até defendem a esterilização dos pobres , se quiserem pedir subsídios ao Estado. No aspeto económico são contra os acordos de livre comércio e taxam os produtos vindos de outros países, defendendo um capitalismo muitas vezes selvagem. Defendem a pena de morte e são a favor do uso de armas por parte dos cidadãos para poderem combater os “agressores”. Criam deste modo uma sociedade violenta, onde impera a lei do mais forte.
Na própria Igreja Católica surgem os chamados conservadores que exigem do Papa Francisco condenações dos divorciados e homossexuais e não padres pedófilos; não concordam com a atenção dada pelo Papa aos pobres, marginais ou prisioneiros, nem com as suas afirmações a favor da desclericalização. Tudo isto são sinais do tempo em que vivemos e que se tornam preocupantes com o aproximar das eleições para o Parlamento Europeu em maio do próximo ano; os partidos defensores destes ideais também estão na corrida e mal vai à Europa que eles venham a dominar o Parlamento em Bruxelas.
A Europa é fruto duma matriz humanista que a partir do séc. V foi reunindo povos muito distintos sob a bandeira do humanismo cristão, baseado no respeito pelo outro, na liberdade de expressão e na vida democrática. A paz social só foi interrompida quando surgiram correntes totalitárias que quiseram impor ideologias, excluir povos e raças do seu convívio, construir guetos. Infelizmente parece-me que é um pouco a isto a que estamos a assistir hoje e por isso podemos dizer que o nosso mundo se está a tornar perigoso. É tempo de refletir, de reassumir valores e de reconstruir sociedades.