As parcerias público privadas na construção das autoestradas foi um estratagema inventado pelos políticos para as construir sem custos para o utilizador. O projeto era aproveitar o empréstimo do dinheiro e dos serviços dos privados que mais tarde seriam pagos pelo Estado, e deste modo melhorar as vias de comunicação do país. Só que o Estado nunca teve capacidade para pagar estes empréstimos e tendo ficado refém dos privados, acabou por admitir a solução das portagens pagas pelos utilizadores, por tempo indeterminado, a troco destes empréstimos e de alguns serviços de manutenção e assistência que vão prestando. Praticamente são os privados os donos das autoestradas e o Estado não passa de um regulador condicionado pelo que deve.
Perante a reclamação dos utentes contra as portagens, em ano de eleições, os políticos aceitam discuti-las no parlamento, para assim captarem os votos daqueles que reclamam, embora saibam que nada podem fazer e estão de mãos atadas pelo compromisso que assumiram com os privados. Então, hipocritamente, fazem uma acesa discussão parlamentar, tendo porém tido o cuidado de previamente combinarem nada alterar.
Os que votam contra, ou a favor, os que se abstêm, os que fazem declaração de voto, são o meio de estratégia propagandística, para o resultado previamente definido a favor das portagens.
Vêm depois as tomadas de posição ao lado dos que protestam, apenas para lhes apanhar o voto nas eleições, já que não estão minimamente interessados naquilo que eles gastam com as portagens. Quem perde é o país interior, mas isso pouco interessa a quem governa…
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