Foi notícia nos jornais a de que a agricultura em Portugal perdeu quase um milhão de trabalhadores desde o início do séc. XXI; dizia ainda a notícia que há 40 anos a agricultura gerava quase o dobro da riqueza atual, e que os trabalhadores atuais são dos mais envelhecidos, mal pagos e com menos qualificações e por isso este sector está a perder 30 mil trabalhadores por ano.
A fazer fé neste estudo, desde que entramos em pleno na União Europeia a nossa agricultura, apesar dos subsídios que recebe, está em declínio. Por um lado não consegue competir com os preços dos produtos que vêm dos países europeus; por outro nem sempre esses subsídios têm sido encaminhados na direção certa de modo a ajudarem mesmo a produção dos nossos campos, quer na agricultura, quer na pecuária, quer na florestação. Se é verdade que este setor está muito mais mecanizado, e por isso como menos necessidade de mão de obra, também é verdade que o preço dos combustíveis, da eletricidade, dos fitofármacos, vêm a aumentar os custos da produção e por vezes até há dificuldade em escoar os bens produzidos a preços razoáveis. Há ainda os inimigos do setor, comos os incêndios florestais, as intempéries frequentes fruto das alterações climáticas, as pragas e doenças cada vez mais disseminadas que causam prejuízos graves. E sobretudo há o problema da falta de mão de obra qualificada; hoje a nossa agricultura está entregue a gente que entrou na reforma, ou na pré-reforma, por volta dos 60 anos e que se entretêm a tratar das suas propriedades, já numa idade em que se começa a entrar em declínio, e onde a agricultura aparece como um hobie. Passados 10 ou 15 anos desistem do trabalho e lá ficam as pequenas propriedades deles incultas e pior ainda acumulando silvados e matagais que poderão alimentar os incêndios. Não é a mão de obra importada do estrangeiro que vem pôr termo a estas situações.
Agostinho Dias
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