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Ideias e factos: A nossa pobreza

Agostinho Dias - 14/12/2017 - 10:33

Segundo o I.N.E. (Instituto Nacional de Estatística) há menos 20 mil portugueses em risco de pobreza e exclusão social, relativamente a 2016; mas, ainda temos 2 milhões e 400 mil nesta situação. Esses são sobretudo as crianças de famílias alargadas, 41,4%, e de famílias monoparentais, 33%. A estes podemos juntar os idosos, os desempregados que 45% estão em situação de pobreza, e 11% da população empregada. A diminuição do desemprego joga um papel fortíssimo na diminuição da pobreza, bem como a subida do salário mínimo, embora este seja até certo ponto uma falácia, pois a inflação come essa subida. As alterações nos escalões de IRS do próximo ano, como os mais pobres não pagam impostos, vem beneficiar sobretudo os mais abastados e assim aumentar a desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres.
A pobreza das crianças e jovens combate-se com uma política integrada e não como um conjunto de medidas avulsas, como vem acontecendo, por exemplo com o aumento do abano de família. É preciso integrar essas políticas a partir do ensino (escolas e universidades) diversificado e gratuito, a partir da assistência (médica e social), e a partir do 1.º emprego, acessível a quem está a iniciar e devidamente remunerado. A situação dos idosos que vivem sozinhos merece uma reflexão para quem na Segurança Social está a trabalhar com este setor. Não há demasiada oferta de qualidade, há sobretudo falta de cuidados continuados de longa duração, e nem sempre os custos são acessíveis à bolsa da maioria dos idosos. Continuam por isso a viver sozinhos, a desaparecerem quando têm situações de Alzeimer, e a aparecerem mortos em casa, ou no campo, muitos dias depois do falecimento. Finalmente a situação dos desempregados de longa duração, idosos para um novo emprego, e novos para serem reformados, já sem o subsídio de desemprego e apenas com o rendimento de inserção social, só se poderá resolver com o aumento desse subsídio, ou com a criação de postos de trabalho adequados a estas pessoas.
Claro que ainda sobram sempre os socialmente desintegrados, os que não querem trabalho, mas têm vícios, que são socorridos pela caridade alheia, ou pela Santa Casa da Misericórdia.

 

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