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Ideias e Factos: A pandemia e a poluição

Agostinho Dias - 07/05/2020 - 11:48

Recebi uma carta curiosa do Sr. João Gonçalves, de Vale da Mua, nosso assinante há 43 anos, em que afirma: “o problema do vírus Covid-19 não foi por acaso que ele se formou no país mais poluente do mundo, pois este vírus foi criado pela poluição, e se os governantes políticos não tomarem medidas rápidas sobre a poluição aparecem outros vírus ainda mais perigosos”.

Não sei o que há de científico nesta afirmação, mas é a voz do povo a falar. Só sei que desde que a pandemia levou ao confinamento de cerca de metade da população mundial, os valores de emissão de dióxido de carbono para a atmosfera reduziram em 80% em Lisboa, e 60% em alguns locais do Porto. Refira-se melhor, pois há menos poluentes no ar que respiramos. O céu ficou a descoberto em zonas em que era baço da poluição que havia. Infelizmente foi preciso um abrandamento forçado da atividade humana para realizar aquilo que é considerado uma das grandes lutas do nosso século. Seria bom que os dirigentes mundiais colhessem a lição.

Contudo, não há bela sem senão: em Portugal continuam as descargas ilegais para os cursos hídricos; em 2019 em março e abril houve 119 e este ano foram 117, das quais resultaram 26 contraordenações. É um crime difícil de comprovar, com análises feitas no local, nem sempre indificável, a jusante e a montante. Se não houver consciência ambiental, de pouco servem as notificações que venham a ser feitas.

Como diz a Laudato Si: “a cultura ecológica não se pode reduzir a uma série de propostas urgentes e parciais para os problemas que vão surgindo à volta da degradação ambiental, do esgotamento das reservas naturais e da poluição. Deveria ser um olhar diferente, um pensamento, um político, um programa educativo, em estilo de vida e uma espiritualidade que oponham resistência ao avanço do paradigma tecnocrático”.

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