Desde dezembro de 2005, data em que faleceu o Mons. Magalhães e que por isso assumi a direção do Reconquista, não passou nenhuma semana, mesmo nas minhas férias, em que não tenha saído o “Ideias e Factos”, na última página.
Tudo tem um fim e esta é a última vez que publico, porque me demiti de diretor deste semanário em carta enviada ao sr. Bispo, datada de 9 de maio e na qual me comprometia a assegurar a direção deste semanário até ao fim do mês.
De facto há visões diferentes dos critérios editoriais que devem reger um “semanário regionalista de inspiração cristã”: para mim ele deve falar sobretudo dos problemas concretos dos homens do nosso tempo, analisar esses problemas à luz da visão dada pela Palavra de Deus, atualizada pelo magistério eclesiástico, apontando soluções para esses problemas – “ver, julgar e agir”.
Para outros o Reconquista é um jornal da igreja e por isso deve dar em primeiro lugar as notícias da igreja.
Não quero ir contra a minha consciência do que é um semanário de inspiração cristã, mas também não quero cair na desobediência a quem rege a diocese ou a paróquia. A solução é pois a demissão que se tornará real a partir do dia 1 de junho próximo.
Contribui também o facto de já ter 80 anos de idade, e ser tempo de passar a pasta aos mais novos.
Despeço-me dos leitores, sobretudo dos que começavam a “ler o Reconquista pela última página”. E dizer-lhes que foi com gosto que fiz as cerca de mil crónicas publicadas no Reconquista; agradeço os muitos incentivos que recebi.
Ao “Reconquista”, desejo as maiores felicidades num tempo que não é nada fácil…
Como dizia o Papa Francisco na catequese sobre a fortaleza a 15 de maio: “precisamos de alguém que nos tire do lugar acomodado em que nos instalamos e nos faça repetir resolutamente: não ao mal, não à indiferença; sim ao caminho que nos faz progredir e pelo qual queremos lutar”.