Foi publicada há poucos dias o total da despesa orçamental da Assembleia da República que soma a quantia de 140 milhões, 219 mil, 365 euros. Vêm depois especificados os diversos capítulos deste orçamento, dos quais destacamos: despesas com pessoal – 42. 174.204,00 euros; aquisição de bens e serviços – 16.324.860,00 euros; despesas de capital – 3.874.390,00 euros; são mencionadas ainda várias subvenções (partidos, campanhas eleitorais, políticos), encargos das instalações, outras prestações familiares complementares, etc., que totalizam a quantia referida acima. Atendendo a que tudo na Assembleia da República se relaciona com os 230 deputados que a compõem (serviços, empregados, partidos políticos, etc.), cada deputado fica ao país em mais de 600 mil euros, em 2018, e isto sem contas com as contar deficitárias de algumas destas estruturas como por exemplo dos partidos políticos. É evidente que este dinheiro não é para o bolso dos parlamentares, mas para toda a estrutura que serve a nossa casa da democracia. No mínimo parece-me um pouco exagerado, comparando com o que se paga de pensões e reformas a tantos idosos, com as poupanças que se fazem em tantos setores da função pública, como é o caso da saúde, da educação ou da segurança.
Gasta-te muito para manter a democracia, em proporção com o que existe para os que a democracia deve servir. Penso que os políticos existem para servir o país, em primeiro lugar, e não para se servirem a eles próprios, à custa do país. Se o ordenado anual de um parlamentar anda por 70 mil euros, não se justifica a presença de tantos assessores, motoristas, etc, etc, que elevam a conta para 600 mil euros/deputado.
Transcrevo o n.º 224 da Evangelii Gaudium do Papa Francisco: “às vezes interrogo-me sobre quais são as pessoas que, no mundo atual, se preocupam realmente mais em gerar processos que construam um povo do que em obter resultados imediatos que produzam ganhos políticos fáceis, rápidos e efémeros, mas que não constróiem a plenitude humana. A história julga-los-á talvez com aquele critério enunciado por Romano Guardimi: “o único padrão para avaliar justamente uma época é perguntar-se até que ponto, nela, se desenvolve e alcança uma autêntica razão de ser a plenitude da existência humana, de acordo com o carácter peculiar e as possibilidades da dita época”.