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Ideias e Factos: Agitação Social

Agostinho Dias - 29/11/2018 - 9:30

Há muito tempo que não assistia em Portugal a tanta contestação por parte dos vários trabalhadores e sindicatos, como agora. São os enfermeiros, os professores, os juízes, os funcionários judiciais, os guardas prisionais, os polícias, os estivadores de Setúbal, os trabalhadores ligados aos comboios, etc., todos em luta pela defesa dos seus direitos laborais. É estranho o apoio do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda a estes movimentos, uma vez que são partidos que fazem parte do apoio parlamentar à solução governamental. É estranha tanta contestação a este governo que se gaba de ter elevado o poder de compra das classes profissionais e dos portugueses em geral, na ressaca da crise. Há muito tempo que não estávamos habituados a ver polícias em luta com os trabalhadores em greve, como aconteceu dia 22 de novembro, no porto de Setúbal. Também não estamos habituados a ver trabalhadores em greve a serem substituídos por outros trabalhadores no seu trabalho.

O diálogo não tem sido fácil, mas parece-me que tem de ser o único maio para resolver as situações. As greves, as manifestações, são formas de luta legítimas, mas que devem ser usadas proporcionalmente, já que causam graves prejuízos às pessoas que nada têm a ver com isto; são armas para serem usadas depois de esgotar todos os meios de diálogo. Por outro lado, sem recusar os direitos de quem trabalha, também é preciso atender às condições económicas dos empregadores; não se pode manter “a galinha dos ovos de ouro”, pois corre-se o risco de perder tudo. No entanto, é certo que para os gestores das empresas e serviços, a situação económica tem progredido consideravelmente, quando comparado com a dos trabalhadores dessas mesmas empresas. Também é verdade que todos reclamam que sejam contratados mais trabalhadores; apesar de a informática fazer o trabalho de várias pessoas, há trabalhos que precisam mesmo de gente. Não é fácil gerir a situação, mas o país exige que ela seja gerida das melhores formas.

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