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Ideias e Factos: Ainda as eleições

Agostinho Dias - 17/10/2019 - 9:29

Terminado o apuramento das eleições legislativas de 6 de outubro passado é hora de fazer algumas reflexões sobre a nossa lei eleitoral. Somados os votos que foram dados ao Partido Socialista no continente, e dividindo-os pelos 106 eleitos, verificamos que foram precisos 17.608 votos para eleger cada deputado. Se fizermos a mesma operação nos outros partidos, verificamos que foram precisos 18.449 para cada deputado do P.S.D., 25.920 para cada deputado do Bloco de Esquerda, 29.919 para cada deputado da C.D.U., 43.289 para cada deputado do C.D.S., 55.656 para o deputado do Livre, 65.545 para o deputado do Liberal, e 66.442 para o deputado do Chega.  Isto resulta do facto de as eleições serem feitas por distritos e não a nível nacional, favorecendo deste modo os partidos maiores.
Outra curiosidade: juntando os votos dos que se abstiveram de ir votar, aos que votaram branco, nulo, ou em partidos que não elegeram nenhum deputado, somamos 49,9% do eleitorado dos portugueses residentes no continente. Quer isto dizer que só praticamente metade dos portugueses é que votaram naqueles que foram eleitos para a Assembleia da República.
Estes dois exemplos mostram que a nossa democracia ainda não tem leis eleitorais perfeitas e que se deverão aperfeiçoar na medida do possível. É um facto que cada círculo eleitoral deverá ter os seus próprios deputados, mas o que acontece é que muitos não são do círculo eleitoral em que são eleitos, mas vieram de Lisboa ou Porto a ocupar lugar nesses círculos…
També é um facto que a abstenção de 45% foi muito grande e isso deve levar-nos a uma reflexão do motivo porque isso acontece. Para mim a larga percentagem de idosos, incapazes de ir votar, será um fator a ter em conta.

 

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