Os nossos agricultores queixam-se das alterações climáticas que provocam secas, enxurradas, temperaturas extremas. Todos nos lembramos da seca de novembro passado em Portugal obrigando a transporte rodoviário de água para abastecer populações e matar a sede aos animais; houve quem roubasse água pela calada da noite… Vimos há poucos dias os cultivadores da pêra rocha no oeste ou de citrinos no Algarve mostrando frutos cozidos pelo sol e queixando-se da quebra de produção em mais de 20 mil toneladas. O mesmo podemos observar nas vinhas da nossa região beirã com uvas completamente secas pelo sol. Em contrapartida os habitantes do Bravo, no concelho da Sertã, queixam-se da enxurrada provocada por uma trovoada, que em Agosto lhes destruiu todas as suas culturas. Há aqui desafios para o setor agrícola que tem de se adaptar a estas situações; há também desafios para a política agrícola comum que tem de identificar estes problemas e procurar soluções para os resolver com uma agricultura mais resistente e resiliente a estas alterações climáticas.
No entanto, as alterações climáticas não são o único problema para os nossos agricultores. Há uma praga de javalis, veados, castores, raposas, texugos, e ainda de diversas espécies de aves e pássaros que, destroem vinhas, os milheirais e outras diversas produções agrícolas. Algumas podem ser espécies muito interessantes para os caçadores, interessantíssimas para os protetores dos animais, mas altamente prejudiciais para quem quer cultivar o campo e não vê como defender-se desta bicharada. Penso que é urgente um ordenamento do território delimitando zonas de caça, zonas de cultivo, zonas de floresta e zonas de pastoreio. Ter tudo em todo o lado está provado que não dá, é fonte de conflitos e de prejuízos. O governo tem-se limitado a perseguir a caça furtiva destas espécies que prejudicam seriamente os agricultores, que por sua vez têm de defender as suas culturas. Ninguém ganha e todos perdem com esta situação.