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As eleições autárquicas previstas para 26 de setembro já mexem e de que maneira! Primeiro foi a tentativa dos partidos maiores para dificultar a inscrição de candidatos independentes; o problema foi resolvido em parte, embora exija ainda muita burocracia para se realizar essa inscrição. Agora é a apresentação de candidatos partidários, a questão das coligações, os nomes mais sonantes, sobretudo para as autarquias mais apetecíveis. Até houve candidatos partidários, que só souberam que o eram, quando o líder os anunciou como tal… Pelo contrário houve outros que se ofereceram, sem serem convidados e escolhendo logo a autarquia a que queriam concorrer. Há ainda o caso dos autarcas que vão concorrer a novo mandato e que se apressam a apresentar planos de atuação futura bem recheados de obras, que não realizaram no mandato que estão a terminar. Dentro da governação até houve quem sentenciasse as eleições para dois dias por causa da pandemia, e outros que quem um dia seria suficiente.
O poder autárquico é o que está mais perto dos cidadãos e o que primeiro procura responder aos seus problemas. Por este motivo, seria importante que os que o assumem fossem conhecidos pessoalmente por aqueles que neles vão votar. Neste caso o voto seria de confiança e não de nomeação de alguém que o partido quer promover. Até pode haver gente de confiança que não está inscrita em nenhum partido… O autarca não tem como missão servir a força partidária, mas sim servir os cidadãos, e por isso o importante, não é ver quantos autarcas consegue eleger cada partido, mas ver se os eleitos são os que servem melhor o povo para que foram escolhidos. O Governo Central só tem que promover a convergência territorial e a descentralização do poder.
Agostinho Dias
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