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Ideias & Factos: Confusão ética no mundo

Agostinho Dias - 06/07/2023 - 10:01

Há um facto inegável na economia portuguesa: a inflação continua alta em produtos essenciais como por exemplo na alimentação. Todos sacodem a água do capote quando se trata de apontar os culpados desta subida de preços e todos propõem soluções que não lhes prejudiquem a “vidinha”. Os bancos apontam como culpados as subidas dos ordenados e a baixa dos impostos, e propõem como solução as subidas das taxas de juro para que não haja a tentação do dinheiro a preço barato. António Costa aponta o dedo aos lucros extraordinários de algumas empresas e por isso é a favor da valorização dos salários. Os sindicatos queixam-se dos baixos salários que não são atualizados há anos em alguns casos, e da inércia dos governantes que permitem aos grandes grupos económicos lucros fabulosos.
Se olharmos para os dados da economia, eles dizem-nos que os bancos e as grandes superfícies continuam a ter lucros de milhões todos os meses. Isso demonstra que o aumento das taxas de juro só os vem favorecer, e prejudicar sobretudo quem tem créditos à habitação; nem se podem queixar dos créditos mal parados que estão a níveis bastante baixos. Temos que concordar com o sr. Primeiro Ministro, que o diagnóstico que atribuía a inflação ao dinheiro barato, está mal feito e por isso a subida da taxa Euribor só vem agravar a situação. Resta-nos a valorização salarial e das pensões e a descida de impostos como solução para o problema inflacionário. É do Papa Francisco a seguinte reflexão de há dias: “Não podemos ignorar as formas de especulação em diversos sectores, que provocaram dramáticas subidas de preços que empobrecem ainda mais muitas famílias. O dinheiro gasta-se rapidamente, obrigando a sacrifícios que comprometem a dignidade de cada pessoa. Se uma família tem de escolher entre comida para se alimentar ou cuidados médicos, devemos prestar atenção às vozes que defendem o direito a ambos em nome da dignidade da pessoa. Reparem na confusão ética que reina no mundo do trabalho”.
Agostinho Dias
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