No sábado passado celebrámos o Dia Mundial da Criança. Nestas aldeias do interior do país, a presença de crianças é já um fenómeno raro em muitas delas. As escolas fecharam quase todas, já que as poucas crianças que existem vão à escola nos centros maiores. Os poucos petizes que existem são olhados com carinho e apreço por todos os habitantes.
Infelizmente isso não acontece em todo o lado; os jornais destes dias noticiavam que a APAV em Portugal, indiciava três crianças por dia vítimas de violência física, e por mês 22 crianças são vítimas de coação sexual. O mais grave, segundo a mesma instituição, é que os agressores físicos ou sexuais são na maioria gente que vivem em casa com estas crianças – pais, irmãos, familiares. É a crise da família a revelar-se no seu mais alto grau.
Vem-se difundindo a ideia de que o filho é um direito dos casais que vivam em qualquer situação de conjugalidade. Na realidade o filho é ser de direitos e compete aos casais reconhecer e respeitar esses direitos, não julgando que tudo podem fazer. Como dizia a Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa, com data de 2 de maio de 2019: “Viver segundo um amor de entrega total, sacrificar-se pelo outro com alegria, reconhecer que o prazer deve ser celebrado mas não idolatrado, acolher que somos criados não para nós próprios e para os nossos interesses individuais, mas para um bem maior, tomar consciência da necessidade de construir o reino da Justiça e paz através da partilha dos bens são valores que oferecem ao amor conjugal e familiar um sentido profundamente espiritual.