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Ideias e Factos: Crime e castigo

Agostinho Dias - 07/02/2019 - 10:57

Os sucessivos inquéritos à banca mostram que os banqueiros delapidaram milhares de milhões de euros, e mesmo assim ainda recebiam prémios chorudos pela má gestão que faziam. Mostra que os amigos destes banqueiros e sobretudo os políticos e gestores que eram apoiados por eles, se apoderaram de muito desse dinheiro em proveito próprio e dos seus amigos ou familiares. O Ministério Público tem-se esforçado para provar este crime com a oposição feroz de todos estes intervenientes e dos seus advogados que recorrem a todos os expedientes possíveis para eliminar estas acusações de crimes.
Para já quem foi castigado por estes crimes foi o povo português que teve de pagar 20 mil milhões de euros das suas contribuições para recapitalizar a banca, mesmo que não tivesse dinheiro ali depositado. Foi o povo que viu encerrados balcões nas suas terras; foram os empregados do banco que ficaram desempregados; foram os clientes que viram o pagamento dos serviços efetuados a subir vertiginosamente.
Quanto aos verdadeiros criminosos continuam tranquilamente a receber pensões milionárias, a morar em casas de amigos com vistas para o mar. Tomemos um exemplo: Sócrates está acusado do desvio de 34 milhões de euros. Se isto se provar e apanhar 10 ou 15 anos de prisão na cadeia de Évora, com médico duas vezes por semana, televisões em vários cantos, boas refeições , etc, se tiver gasto 10 milhões de euros em advogados e processo, ainda fica com 24 milhões de euros. Onde ganharia ele 24 milhões de euros em 10 ou 15 anos? Afinal o crime compensa para estes…
Bem dizia o Papa Francisco há dias a propósito dos governantes corruptos: “ É um convite a viver com austeridade e transparência, na responsabilidade concreta pelos demais e pelo mundo; levar uma vida que denotasse que o serviço público é sinónimo de honestidade e justiça e antónimo de qualquer corrupção”.

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