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Ideias e Factos: Cuidadores informais

Agostinho Dias - 10/01/2019 - 9:31

Estima-se que em Portugal existam cerca de 827 mil cuidadores informais, a cuidar de pais, filhos ou cônjuges. É um trabalho que, se fosse pago, representaria cerca de 4 mil milhões de euros. É uma ocupação permanente de dia e de noite, sem dia de descanso, a acompanhar os que sofrem de alguma mazela física ou psíquica permanente e grave, que os torna dependentes dos outros para se alimentarem, fazerem a higiene, ou orientarem a sua vida. Existe a rede de cuidados continuados com camas mais que insuficientes para um tão grande número de casos. Apesar de tudo, alivia, o cuidador mesmo que seja só por 30 dias de vez em quando.
Em 2016 houve uma petição na Assembleia da República pedindo o estatuto de cuidador informal dos doentes de Alzheimer e outras demências, estendendo-se depois a todas as patologias. Em março passado o Bloco de esquerda, P.C.P., C.D.S./P.P. e PAN apresentaram propostas sobre cuidadores informais, mas os trabalhos estão parados na comissão que foi constituída para o efeito e nada foi ainda decidido sobre o assunto.
Vários países na Europa já adotaram este estatuto, que concilia a vida familiar e profissional, através de licenças, flexibilidade de horários de trabalho, benefícios e incentivos fiscais, teletrabalho, etc. A semana passada “Reconquista” noticiava a existência de uma equipa que ensina estes cuidadores a fazer estes trabalhos com custas para os próprios cuidadores. Parece que o governo se demite de toda esta ajuda a quem tem de se dedicar aos outros a tempo inteiro, mas não é justo nem humano, desprezar deste modo estes membros mais frágeis da nossa sociedade. O ser humano não pode ser avaliado só pela sua capacidade de produzir…

 

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