As eleições legislativas são daqui a um ano, mas os partidos políticos já estão em campanha eleitoral nas rentrés e nos seminários de verão. O orçamento de Estado de 2019 vai ser uma peça dessa mesma campanha. Os candidatos a estas legislativas começam a fazer-se notar junto dos seus dirigentes partidários, a fim de poderem entrar nas listas em lugares elegíveis. O sistema português não dá aos cidadãos qualquer possibilidade de escrutínio sobre políticas e políticos. São os líderes partidários que escolhem os candidatos à Assembleia da República, e às vezes nem são conhecidos na região que representam, por isso eles não representam o povo, mas sim o partido a que pertencem. Deste modo as verdadeiras eleições começam agora a ser feitas com a escolha dos candidatos por parte dos líderes partidários. Talvez isto seja a explicação para os 45% de abstenção nas últimas legislativas de 2015.
Aí vai um desabafo: somos cidadãos para pagar impostos, taxas, portagens, serviços, mas não para escolhermos quem nos represente nas decisões políticas do país. Temos “um sistema de representação proporcional com listas fechadas e bloqueadas”. As listas abertas são “listas fechadas, mas não bloqueadas” podendo aparecer candidatos extra-partidários, o que entre nós não é permitido. Temos que nos contentar com os “jotinhas” que os partidos vão promovendo, que fazem da política a sua profissão e que nunca tiveram outra ocupação na vida, e sempre disseram ámen aos seus líderes partidários, para conquistar e manter o lugar.
A democracia é o governo do povo, através dos seus legítimos representantes, já que é impossível fazer assembleias gerais como começou na Grécia. Seria bom que o nosso regímen fizesse uma reflexão, com base em muitos trabalhos científicos já publicados, e tivéssemos uma democracia verdadeiramente representativa. Só que esta reflexão não agrada aos partidos e são eles que tomaram conta da nossa política.