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Ideias e Factos: Desemprego de longa duração

Agostinho Dias - 19/10/2017 - 9:44

Depois de uma crise, quando a economia entra em recuperação, o ultimo setor a reagir é sempre o do desemprego. Se em Portugal, no tempo da crise, o desemprego chegou aos 17%, hoje ele está em cerca de 9%, o que significa que a economia está a recuperar. Em Agosto passado havia em Portugal 461.400 desempregados, dos quais 273.200 o eram há mais de um ano, chegando mesmo a 70% desta cifra que estavam sem trabalho há mais de 2 anos. O desemprego de longa duração não está a diminuir, mas a crescer: em 2011 ele era de 52,9% dos desempregados, agora nos 59,2%. A média da OCDE é de 30,5%.
Há os que dizem que falta investimento na formação destes desempregados de longa duração. Pode ser verdade, mas nos centros de formação nós verificamos que há quem faça cursos sucessivos, e depois, ou não quer, ou não tem trabalho compatível com essa formação. O FMI vem dizer que é preciso flexibilizar os contratos de trabalho para os patrões não terem receio de contratar trabalhadores. Estes já perceberam que há empresas que passam a vida a admitir estagiários a quem não pagam, para os despedir no fim do estágio, e admitir outros. É evidente que os experientes já não embarcam nisto e bem.
A consequência de tudo isto é haver bastante gente na casa dos 50 anos sem trabalho e sem perspetivas de futuro; são desempregados de longa duração, muitos deles já esgotaram o tempo de poderem receber o subsídio de desemprego e vivem do rendimento social de inserção. Não me parece que o orçamento de 2018 venha a resolver estas situações…

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