No passado dia 7 de outubro morreu a economista Manuela Silva, grande defensora da economia de comunhão para “fazer emergir um novo paradigma de organização dos recursos materiais e humanos, que assente na realização do ser humano como pessoa livre, criativa, responsável e respeite os critérios de solidariedade e responsabilidade face ao eco-sistema”.
Analisando a economia mundial ela constata que como nunca há uma extraordinária abundância de bens e serviços produzindo stocks difíceis de escoar.
Mas mesmo nestes países existe “o desemprego massivo, a precaridade do vínculo laboral, a desumanização do trabalho humano, as gerações mais jovens impedidas de entrar em pleno no mundo laboral, a desigualdade gritante na distribuição dos rendimentos e do acesso aos frutos do desenvolvimento, com a exclusão social de grupos humanos em situação vulnerável”.
Este modelo económico, diz Manuela Silva, tem repercussões nos países economicamente menos desenvolvidos com “o fosso crescente entre as economias do centro e da periferia que compreendem mais de 2/3 da humanidade; são uma séria ameaça para a sobrevivência do próprio planeta”.
Por tudo isto o “modelo económico vigente apresenta-se não como um sucesso económico, mas como um “horror económico, tal é o cortejo das vítimas que o acompanha”. Daqui se deduz que é preciso haver uma relação entre economia e ética. É aqui que entra o projeto da “economia de comunhão” que teria “um efeito ampliado num modelo económico de raiz humana e solidária para o séc. XXI. Esta é a economia de serviço ao bem comum, prestando uma particular atenção aos mais pobres.
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