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Ideias & Factos: Em hora de balanço

Agostinho Dias - 13/10/2022 - 9:37

O Banco de Portugal apresentou a situação de macro-economia portuguesa de 2022 e diz-nos que a inflação média do país atinge os 7,8%, e que a economia cresceu 6,7%. A subida dos preços notou-se sobretudo na energia (gaz, eletricidade, combustíveis); mas também nos produtos alimentares; muito boa gente encheu os bolsos à custa da inflação - há 62 milhões de milionários no mundo, e 159 mil são portugueses. Esta semana foi apresentado na Assembleia da República o Orçamento de Estado para o ano de 2023. É difícil fazer previsões da macro-economia, mas diz-se que a economia vai continuar a crescer, embora muito abaixo dos 6,7% deste ano. O crescimento deste ano deveu-se sobretudo ao incremento do turismo, que mesmo na zona centro do país foi o melhor ano dos últimos 20, mas também ao consumo interno das famílias portuguesas, e às exportações. Na guerra na Europa, Putin quer deixá-la ao frio neste próximo inverno, sem gaz e eletricidade para o aquecimento e se for capaz de realizar este intento, haverá menos consumo e menos turismo e por isso um arrefecimento acentuado da economia. Diz o orçamento que Portugal não vai entrar em recessão, mas a economia vai crescer muito menos. Quanto à inflação há a “fé” de que ela vai diminuir a breve prazo – ver para crer… Este ano a inflação ultrapassou largamente a subida dos ordenados e pensões e por isso perdemos poder de compra. O orçamento do próximo ano não é nada promissor neste capítulo…
O 10.º princípio da economia de Francisco diz: “Cremos numa economia sustentável, democrática e fraterna, que rompa com as desigualdades sociais, proporcione a emancipação humana e garanta o direito à terra, ao teto e ao trabalho, construindo mecanismos de geração de renda que fortaleçam a cooperação, a associação e a autogestão. Cremos numa economia pautada na justiça social, que reconheça as diversidades, e que crie redes entre os movimentos sociais a partir dos princípios da economia solidária e agroecológica”. Penso que ainda não estamos a caminhar por aqui.
Agostinho Dias
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