Creio que não me engano se disser que a necrologia é uma das secções mais lidas pelos nossos estimados leitores. Já devem pois ter reparado que, a partir de fins de dezembro, o número de falecidos tem aumentado muito; são no mínimo três páginas por jornal. E o fenómeno não é apenas local, pois, embora ainda não haja estatísticas oficiais, a imprensa fala do aumento de centenas de óbitos em janeiro, em relação ao mesmo mês dos anos anteriores. Tem-se culpado o frio, as gripes, o grande número de idosos, por este aumento. Contudo há interrogações que eu faço?
Terá falhado a campanha de vacinação contra gripe, quer por não atacar o vírus atual, quer pelo número dos que se vacinaram? O frio e o número de idosos já existiam nos meses dos anos anteriores e não morreu tanta gente.
Não teremos de procurar causas humanas no estado do serviço nacional de saúde, na greve dos enfermeiros e outros profissionais de saúde, na falta de medicamentos nas farmácias? Se se provar que existem estas causas humanas o caso deve tomar-se como muito grave, já que nada há que pague a vida, o melhor bem que temos e a base de todos os outros bens. E se o caso é assim grave, terão de se procurar os responsáveis por estas situações e pedir-lhes contas do que está a acontecer, sem deixar a situação impune. Quando vemos direções de serviços hospitalares a demitirem-se, as farmácias hospitalares fechadas em alguns espaços do dia, técnicos de diagnóstico a queixarem-se de tudo o que se diz passar-se na saúde, temos de ficar preocupados… a não ser que digamos que “os mais idosos podem morrer, porque só estão a fazer o pão mais caro”.
[email protected]