É assim que os nossos governantes se mostram perante o pedido de nova ajuda ao Novo Banco, feita com o nosso dinheiro, e depois de já, neste ano, terem injetado 850 milhões nesta instituição bancária. Isto fora os mais de três mil milhões já injetados nos anos anteriores.
Cito o P. Acilio responsável pela Casa do Gaiato de Setúbal e que conhece bem o que é a pobreza. Escreve no jornal “O Gaiato”: “Oitocentos e cinquenta milhões davam para construir, pelo menos, moradas para oito mil e quinhentas famílias, aliviaria o peso da renda de casas no país e acabaria com esta exploração terrível a que estão obrigadas tantas famílias portuguesas a viverem em quartos no mesmo andar, na pior das promiscuidades e a nossa querida Igreja Católica tão bem organizada, estará só para defender a liberdade religiosa? Não tem de olhar para a justiça social?”
Para quem prometeu na última campanha eleitoral “acabar com a extrema pobreza”, não é enchendo os bolsos de bancários e banqueiros que lá vai…
Estamos de novo em crise, com muita gente a recorrer à ajuda da Cáritas ou do Banco Alimentar e por isso com o número de pobres a subir em flecha. Ainda se ao menos o dinheiro tivesse servido para calar os “lesados” do BES, que continuam a clamar por justiça… Apenas ouvimos falar em distribuição de dividendos e em prémios aos gestores do Banco.
A ser verdade tudo isto, é não só de ficarmos estupefactos, é de ficarmos estarrecidos com tão poucas vergonhas…
Diz o Papa Francisco na Evangeli gaudium: “cada cristão e cada comunidade são chamados a ser instrumentos de Deus ao serviço da libertação e promoção dos pobres, para que se possam integrar plenamente na sociedade, isto supõe estarem docilmente atentos, para ouvir o clamor do pobre e socorrê-lo”.
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