Em 2015, o Partido Socialista conseguiu o apoio parlamentar dos partidos à sua esquerda, de modo a formar a “geringonça”, com o argumento de iriam melhorar os rendimentos dos portugueses, tão abalados pelos anos de governação da Troika. Chegados ao fim da legislatura ficamos com a impressão de que este objetivo não foi atingido, dado o grande número de greves: só nos primeiros dois meses de 2019 foram apresentadas pelos sindicatos mais de 100 (dá duas por dia) declarações de greve. O mais estranho é que a maioria tenha o apoio do Bloco e Partido Comunista, embora continuem a fazer parte do apoio ao governo. Isto só é explicável por estarmos em ano de eleições e é necessário captar os votos dos descontentes. Já todos sabemos que aos nossos partidos políticos apenas importa ganhar votos nas eleições e isso justifica tudo. O importante para eles não é o governo do país, mas as vitórias eleitorais e é para isso que trabalham. Nesse sentido vemos os socialistas a proclamar todos os benefícios que a sua governação trouxe aos bolsos dos portugueses, esquecendo-se de que para alguns esses benefícios foram “poucochinhos”, e prejudicados por um brutal aumento de impostos indiretos, sobretudo sobre os combustíveis. No entanto, o grande pecado do governo foi a falta de investimento em setores como a saúde, os transportes, ou a educação, que já estavam carenciados. Essa falta de investimento, junta com tantas greves dos seus profissionais, tem trazido o descontentamento daqueles que precisam dos serviços e não os têm.
Os partidos da direita estão a tentar capitalizar todo este descontentamento dos portugueses para que votem a seu favor. Juntam-se aos que protestam, fazem moção de censura ao governo, apontam tudo o que de negativo acontece. Estou curioso por saber qual será a reação dos portugueses nas urnas. Temo uma abstenção muito grande, em protesto contra quem não governa, e só trabalha para ganhar eleições.