A Beira Baixa está classificada como uma das zonas mais envelhecidas da União Europeia. É sobretudo nas aldeias que isto se nota. Como tudo, isto tem aspetos contraditórios. Por um lado não existe quase o desemprego, porque predominam os reformados. A covid tem mais dificuldade em transmitir-se porque facilmente atravessamos as aldeias e não vemos mesmo ninguém; guardando os lares e centros de dia da infeção, onde as pessoas estão juntas, as restantes estão quase todas confinadas nas suas residências. Só contatam por telefone com os filhos que estão nas cidades. Há aldeias que já não têm tabernas ou cafés… Restam apenas pequenos lugares em que se vende o que é essencial para as vidas das pessoas, mas onde não há aglomerados. A vida das que podem andar faz-se a caminho das hortas e às vezes lá têm de ir à cidade para assuntos maiores…
Em contrapartida lá aparece alguém que morreu em casa, sem se dar por isso. Há mesmo aldeias que já acabaram e outras que estão a definhar e mesmo a caminho do fim. Aumentaram as doenças provocadas pelo sedentarismo e pelo isolamento: artrites, demências, fobias, etc. Muitas destas doenças tornam-se perigosas e podem levar mesmo ao suicídio. Aparecem burlões que se aproveitam da hospitalidade das pessoas e conseguem enganá-las e prejudica-las das mais diversas formas. Até há quem as incendeie.
Durante as férias foi impressionante a quantidade de pessoas que optaram pelo turismo rural nestas aldeias. Ali se sentiram mais seguros e procuraram descansar dum modo diferente. De um modo geral os jovens não alinham neste tipo de férias, pois a vida aqui está demasiado parada para a genica juvenil. Ainda há vida nas aldeias demasiado sossegada e tranquila, para os que gostam de mais movimento; calma e descontraída porém para quem já não está para grandes aventuras…
Agostinho Dias
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