Dizem as estatísticas que no distrito de Castelo Branco as rendas das casas subiram em média 66,26% em relação a julho de 2021, ou seja, uma renda de 412€, passou este ano de 685€; de junho para julho deste ano subiram 4,3% . Se em vez de arrendar casa, se preferir comprar, a venda subiu 2%, sobretudo devido à subida dos materiais e à falta de mão de obra. Além disto se a compra é feita com empréstimo bancário, neste mês de agosto a prestação da casa agrava-se até 104€, após o B.C.E. subir as taxas de juro. Também não é fácil encontrar casas disponíveis na habitação social, pois até agora só 2% das casas previstas neste tipo de habitação foram atribuídas. Estavam previstas 50 mil casas e só foram acabadas 1070; os concursos ficaram desertos devido ao aumento dos custos, e aos atrasos na construção. Todos estes fatores conjugados (aumento e carência dos materiais, aumento dos juros bancários, falta de mão de obra disponível), fazem com que este setor entre em crise. Isso promete continuar a subir o número dos sem abrigo na nossa sociedade.
O nº. 46 da Familiaris Consortio de S. João Paulo II apresenta a carta dos direitos da família, onde se inclui “o direito de ter uma habitação digna a conduzir convenientemente a vida familiar”. Infelizmente é mais difícil destruir as habitações como estamos a ver todos os dias na guerra da Ucrânia, do que empenharmo-nos em construir habitação digna para todas as pessoas. Diziam os antigos que “quem casa, quer casa”. É pois obrigação da sociedade proporcionar a existência de casas suficientes a preços compatíveis para serem adquiridas pelos casais a fim de aí viverem em família.
O art. 11 da carta dos direitos da família diz assim: “a família tem direito a uma casa decente, apta à vida familiar, e proporcional ao número dos seus membros, em ambiente fisicamente sadio que ofereça os serviços básicos para a vida da família e da comunidade”.
Agostinho Dias
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