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Ideias e factos: Haja justiça distributiva

Agostinho Dias - 25/10/2018 - 10:29

Entre 2010 e 2017 os salários dos dirigentes das grandes empresas subiram cerca de 50%, quando o salário médio dos trabalhadores desceu cerca de 6%” – a afirmação é da Comissão Nacional de Justiça e Paz. Isto segundo a mesmo fonte tem consequências: mais de um milhão e cem mil portugueses que têm trabalho, são pobres, cerca de 10% da população nacional. Se a esses juntarmos os desempregados e os que não querem trabalhar, temos cerca de dois milhões e quatrocentos mil portugueses em risco de pobreza, quase um quarto da nossa população.
Considera-se pobre o que ganha abaixo da mediana de todos os ordenados do país. Isto significa que quem recebe o ordenado mínimo está abaixo dessa mediana, e por isso é considerado pobre.
É certo que as empresas precisam de quadros superiores que terão de ser bem pagos por causa da concorrência. No entanto, Portugal aparece como o primeiro país da Europa, onde a diferença de salários entre dirigentes e empregados é a maior, e nem por isso nos outros países faltam bons gestores. Como isto acontece em empresas públicas e privadas, penso que o orçamento de Estado poderia atuar de modo a que nas públicas fossem aumentados os empregados e não os gestores, e nas privadas taxando o IRS dos gestores destas empresas de modo a repor alguma justiça distributiva. Infelizmente penso que não é isto que vai acontecer e com o aumento percentual praticamente igual para todos, são os grandes os mais beneficiados. O que se passa com os ordenados aplica-se igualmente no caso das reformas e aposentações. Em nome de uma maior justiça social é preciso fazer alguma coisa…

 

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