Dizem que a inflação é consequência da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, no entanto vemos empresas que aparentemente nada têm a ver com esta guerra a apresentar lucros fabulosos no mês de setembro. Eis algumas: A Galp apresentou lucros de 608 milhões de euros, o que representa um aumento de 86% em relação aos 9 primeiros meses do ano anterior; isto equivale a um lucro de 2,2 milhões por dia. A EDP Renováveis apresentou um lucro de 416 milhões, o que equivale a um aumento de 181%. A Jerónimo Martins teve lucro de 419 milhões, o que representa uma subida de 29,3%. O Santander apresentou lucro de 385 milhões. Os seis maiores bancos fecharam o 1.º trimestre deste ano com resultados líquidos superiores a 600 milhões, mais do dobro em período homólogo do ano passado.
Em contrapartida 50 mil reformados recebem pensões inferiores a 111 euros/mensais, segundo Eugénio Rosa. Sem as ajudas sociais quatro milhões de portugueses viveriam abaixo do nível de pobreza; assim são dois milhões a viver desse modo, 22% da população. Estes vivem cada vez com mais dificuldades em comprar alimentos, em pagar o empréstimo da casa, devido à inflação. É que não são só as empresas relacionadas com a energia que estão com lucros fabulosos; também as empresas distribuidoras e os próprios custos do dinheiro estão inflacionados. E não adianta o Governo ir tributar os lucros excessivos destas empresas, se o dinheiro não chegar a quem está necessitado dele para viver. Se for para engordar o dinheiro que vem dos impostos, das multas e ser gasto a belo prazer dos governantes e não chegar a quem tem fome, não vem mudar a sua situação. Diz o nº. 209 da Evangelli Gaudium: “Somos chamados a cuidar dos mais frágeis da Terra. Mas não no modelo “do êxito” e “individualista” em vigor, parece que não faz sentido investir para que os lentos, fracos, ou menos dotados possam também vingar na vida”.
Agostinho Dias
[email protected]