Estamos a envelhecer dramaticamente, e sobretudo no interior do nosso país, já vivemos um verdadeiro inverno demográfico. O número de óbitos ultrapassa largamente o número de nascimentos em qualquer aldeia ou vila interior deste país; mesmo nas cidades essa pirâmide das idades já aparece também com grande tendência a inverter-se. Se nada fôr feito, dentro de uma década, muitas das pequenas aldeias irão desaparecer como locais de habitação contínua. No entanto o fenómeno estende-se a todo o território nacional, onde o número de habitantes contínua em diminuir.
No dia 30 de janeiro passado o Papa Francisco referindo-se às causas deste fenómeno a nível europeu dizia: “Não somente na Europa se têm poucos filhos, e demasiados são os que são privados de nascer, como também, porque temos sido incapazes de dar aos jovens os instrumentos materiais e culturais para enfrentar o futuro. A Europa vive uma espécie de deficit de memória. Voltar a ser uma comunidade solidária significa redescobrir o valor do passado, para enriquecer o próprio presente e entregar às posteridade um futuro de esperança”.
Em alguns países têm-se feito marchas pela vida, quase todas silenciadas na comunicação social. Alguns políticos pensam que aumentam a natalidade, dando alguns euros de esmola. No entanto, o problema é cultural: há uma mentalidade de filho único, anti-natalista, em nome de uma “educação sexual”, que marca os jovens, desligando a procriação da vivência da sexualidade. É alimentada por campanhas a favor do aborto e dos meios contracetivos, levados a cabo por educadores e comunicação social. É uma questão cultural que não se resolve com campanhas de qualquer natureza.