O Primeiro Ministro, António Costa, disse em Vila Velha de Ródão: “queremos que as empresas invistam no interior”. Falando dos incentivos às empresas disse que há “1.700 milhões de euros que só podem ser utilizados em empresas que invistam no interior do país”. E falando da fábrica inaugurada em Vila Velha de Ródão, concluiu mesmo dizendo que “este investimento é possível porque há um empresário que acredita no território”. Aqui está o nosso problema: haver quem acredite no interior, a começar nos empresários e continuando nos próprios governos. Não basta criar uma Secretaria de Estado da Valorização do Interior e situá-la em Castelo Branco, porque o secretário nomeado não poderá fazer muito se não houver quem acredite e aceite o trabalho que ele porventura venha fazer. É certo que será missão sua fazer com que os empresários acreditem no interior, mas para tal é preciso criar condições. Não é fechando serviços como os correios, as agências da Caixa Geral de Depósitos, ou as Escolas, não é mantendo as portagens, negando a construção do IC31, ou da barragem do Alvito, não é a assistirmos todos os verões ao drama dos incêndios, que se convencem os empresários a investir aqui. As empresas encontram dificuldade em recrutar trabalhadores por falta de gente qualificada e em idade de trabalhar. Pagamos mais impostos no gasóleo para beneficiar os passes dos transportes públicos de Lisboa e do Porto, já que nem transportes públicos organizados temos. Também é verdade que aqui não há falta de habitação relativamente próxima do trabalho onde quer que ele seja.
Esperamos que João Paulo Catarino saiba enfrentar estas dificuldades, fazer a ponte entre o interior e o governo, representando-nos sobretudo a nós que vivemos aqui, e não querendo apenas manifestar a autoridade do governo junto dos provincianos. A sua missão será sobretudo levar os nossos anseios e problemas a quem de direito e batalhar pela sua solução. Se assim for, desejamos-lhe um bom trabalho com muito sucesso.
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