Na perspetiva cristã que sigo, a vida é um dom de Deus, sujeito às fragilidades da doença, do desgaste pela idade, ou dos maus tratos que lhe possamos dar. Daí que a saúde, o completo bem estar físico, espiritual e psicológico, seja um bem a procurar a todo o custo. Penso que cada um é responsável pela sua própria saúde, cuidando dela, defendendo-a, ou tentando restaurá-la, quando a tiver perdido. A sociedade só tem de criar as condições para que cada pessoa lute por este bem, educando, dando oportunidades, prevenindo, curando, ou dando paliativos. Estas condições à disposição dos cidadãos devem ser gratuitas, apoiadas, ou pagas, consoante as condições económicas, ou os serviços de que dispõem esses cidadãos. Se os abastados, os que têm seguros de saúde podem pagar, será uma injustiça obrigá-los ao Serviço Nacional de Saúde, gratuito e obrigatório para todos. Agora, aqueles que não possuem esses meios económicos têm o mesmo direito à saúde que os outros e daí a necessidade de os apoiar. O que acontece é que há serviços hospitalares e blocos operatórios encerrados, há farmácias hospitalares em rutura, há falta de médicos especialistas e enfermeiros em tantas unidades de saúde, há máquinas de diagnóstico avariadas, ou obsoletas.
Deste modo, o Serviço Nacional de Saúde não funciona por ser público, mas por não ter condições de funcionalidade, pois deixou de se investir aí. O mal não está em ser público ou privado, mas nas más condições para se poder exercer o serviço de saúde. Criem-se condições iguais para todos, dêem-se as mesmas possibilidades a todos, e deixemos que cada um escolha o serviço que quiser de modo a cuidar responsavelmente da sua saúde. Não precisamos duma lei de bases de saúde ideológica, mas sim duma que na realidade sirva os cidadãos concretos e os ajude a preservar este bem que é a sua saúde.