Não faltam em Portugal estruturas para ajudar os mais idosos a viver o seu fim de vida: Lares, Centros de dia, Centros de noite, Cuidados continuados, Cuidados Paliativos, etc. O problema é a dimensão e a organização de tais estruturas. Em 2006 foram anunciadas 13.000 camas para a Rede Nacional de Cuidados Continuados Intensivos, em 2016 já se previam 15.000. Em 2016 no Congresso Nacional das Misericódias realizado no Fundão, António Costa anunciou mais 8.000 camas. O que é facto é que em 2017 havia em todo o país apenas 8.637 camas e em 2020 eram 9.033. Deste modo os lares tornaram-se parcialmente unidades de cuidados continuados, sem terem condições nem materiais, nem de pessoal para exercerem tal função. Neles residem 55 a 65% idosos na situação de acamados, ou com muito deficientes condições de mobilidade, ou em estado de demência, que não encontram na valência de lar resposta adequada aos seus problemas. As consequências estão à vista com o que está a suceder nesta pandemia de covid 19. Nos lares das Misericórdias até ao mês de maio passado, a percentagem de mortos por covid foi de 0,37% ou seja 128 óbitos, sendo de realçar o trabalho realizado com carinho o amor por tantos que ali trabalham, como foi reconhecido pelo Presidente da República. Na nova fase que estamos a atravessar a percentagem dos que morrem não é nada inferior…
Como diz o n.º 19 da Fratelli Tutti do Papa Francisco: “Vimos o que que aconteceu com as pessoas de idade em algumas partes do mundo por causa do coronavírus. Não deviam morrer assim… Cruelmente descartados… isolar os idosos e abandoná-los à responsabilidade de outros sem um acompanhamento familiar adequado e amoroso mutila e empobrece a própria família”.