O Estado Português arrecadou 30,8 milhões de euros desde o início do ano até abril de 2023, em multas de trânsito, o que representa um aumento de 26% em relação ao ano anterior. Até ao fim do ano a meta é atingir os 135,8 milhões de euros. Só o novo sistema de radares de segurança rodoviária e controlo de velocidade em Lisboa resultou em 8,2 milhões de euros em multa. A partir de 1 de setembro entraram em ação mais de 37 novos radares de controlo de velocidade, já que 59,2% das multas aplicadas estão relacionadas com o excesso de velocidade, seguidos da condução sob efeito do álcool. Vai entrar em ação um novo sistema capaz de multar automaticamente carros mal estacionados. Apesar destes sistemas cada vez mais refinados, os acidentes nas estradas não têm diminuído, pelo contrário têm aumentado: a PSP e a GNR já registaram em 2023 a quantia de 43.602 acidentes, de que resultaram 160 mortos, o que representa um aumento de 11% de acidentes, e de 4% de mortes, face ao período homólogo de 2022. O problema não se verifica só em Portugal, já que na União Europeia o aumento de mortes foi de mais 19.917 comparando 2022 e 2021.
Estamos perante uma verdadeira pandemia que atinge condutores imprudentes, mas também peões e condutores cumpridores, vítimas de imprudência de outros. E pelos vistos não é com multas, que só aproveitam ao orçamento do Estado, que isto se resolve. Ou há uma consciencialização responsável de condutores de toda a espécie de veículos e peões, ou a caça à multa pouco resolverá. Diz o nº. 31 do Fretelli Tutti: “Uma coisa é sentir-se obrigado a viver juntos, outra é apreciar a riqueza e a beleza das sementes de vida em comum que devem ser procuradas e cultivadas em conjunto”. E isto também é válido no trânsito.