A frase é do Papa Francisco falando aos juízes, e desafia-os a defenderem os direitos sociais dos cidadãos. Esses direitos, diz ele, andam muito esquecidos e estão ausentes em muitos sectores da nossa sociedade. Há sintomas que nos mostram que o povo português é sensível a estes direitos sociais. O banco alimentar continua a recolher toneladas de alimentos para alimentar os que passam fome. Os 0,5% de I.R.S. que os contribuintes podem destinar a instituições de solidariedade, tiveram este ano um aumento de 26%, e atingiram os 20 milhões de euros, ou seja mais 4 milhões do que no ano passado. Há a consciência de que em Portugal ainda há 2 milhões de pessoas em risco de pobreza efetiva por isso os portugueses tentam contribuir para esta causa. Já não me parece que os nossos governantes tenham esta sensibilidade, ao falarem de um assistencialismo que não resolve os problemas e já não se usa. De facto, o ideal seria pôr as pessoas em condições de não necessitarem da ajuda social dos outros (assistencialismo), mas essa é a missão dos políticos que conduzem os destinos da sociedade. Enquanto eles não cumprirem essa missão, as pessoas continuam a ter necessidade de comida, de medicamentos, de casa com água, eletricidade e gaz, e se ninguém os ajudar a satisfazer essas necessidades, não têm possibilidade de sobreviver.
É fácil dizer que os pobres o são porque não querem trabalhar, vivem cheios de vícios, são parasitas, e tantas outras coisas. Há aqui muito trabalho de educação, de promoção humana com hábitos saudáveis, de cuidados de saúde psíquica e física a realizar. Essa é a missão do governo do país, se quiser diminuir todas estas situações de pobreza. Enquanto isso não for feito teremos de recorrer ao “assistencialismo”.
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