Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, entre 1 de janeiro e 1 de maio deste ano, morreram em todo o mundo 237.469 indivíduos de covid-19; de suicídio foram 357.785; de acidentes rodoviários 450.388; de cancro 2.740.193; de fome 3.731.427; de doenças infeciosas 4.331.251. Em Portugal nos primeiros 6 meses deste ano morreram mais 5.882 pessoas do que em 2019; no entanto de todos os que morreram só cerca de uma terça parte foi vítima desta pandemia que nos assola. Pessoalmente posso testemunhar que nas 3 paróquias rurais que sirvo já acompanhei este ano 36 funerais e ao que me consta nenhum foi vítima deste vírus.
Com isto não quero desvalorizar o cuidado a ter com o covid-19, e o necessário cumprimento de todas as regras sanitárias para evitar a sua propagação. Apenas quero dizer que há outras causas de morte que a fazer fé nos números acima ainda são mais mortais do que o covid-19. E o problema está precisamente na dificuldade que têm os detentores dessas doenças em conseguir consultas dos seus médicos de família, acesso às consultas de especialidade, adiamento de cirurgias e exames médicos. Têm aumentado as idas às urgências que na maioria das situações nada resolvem.
Parece que o nosso serviço de saúde e o nosso Governo estão só preocupados com o covid-19, talvez por ser o que mais perturba o andamento da economia, e esquece todas as outras causas de morte, pelos números acima, bem mais fatais que o coronavírus. É preciso tratar de uns, sem esquecer os outros para que as coisas funcionem a bem de todos.