Segundo um estudo da União Europeia, na Europa desperdiçam-se mais de 80 milhões de toneladas de comida por ano; seriam precisos 4 milhões de camiões de 20 toneladas para os transportar. A ONU diz que o custo global deste desperdício é de 1.700.000 milhões de dólares, ou seja 15 vezes o orçamento de Portugal para este ano. Este desperdício acontece durante toda a cadeia alimentar, desde a produção e processamento, passando pela distribuição e venda e finalmente ao nível dos consumidores. Muitos produtos são deixados na sua origem, durante a calibragem, não sendo consumidos antes dos prazos de duração, ou sendo simplesmente deitados para o lixo por quem não os consumiu.
Se fossem aproveitadas poderiam matar a fome a milhões de subnutridos ou mesmo esfomeados. Assim, além de não aproveitarem a ninguém, acabem por poluir o ambiente em lixeiras onde produzem o metano, um gaz poluidor do ambiente; e ninguém aproveita a água, a energia, o combustível que foi gasto na produção deste alimentos. Vivemos de fato uma sociedade de desperdício aqui no ocidente que é fruto de um egoísmo feroz, ou no mínimo de uma falta de solidariedade com o mundo que nos rodeia. Em Portugal o ano de 2016 foi declarado o Ano Nacional do Combate ao Desperdício Alimentar, mas na prática não passou de uma simples declaração. Esquecemo-nos que a comida que estragamos não nos pertence a nós, mas é do faminto que vive ao nosso lado no mundo. É já tempo de olharmos para tantos famintos não só de alimento, mas também de solidariedade e amor…