É corrente na nossa sociedade o pagamento de multas, indemnizações, ou outros pagamentos do género, para sancionar “crimes” cometidos. Transgrediste no trânsito, o caso resolve-se com multa; abusaste de alguém, tens de lhe dar uma indeminização monetária; foste despedido sem justa causa, a entidade patronal tem de te indemnizar, isto só para citar alguns exemplos. Parece que o dinheiro lava todos os crimes, branqueia e repara todas as situações. O dinheiro aparece como o valor supremo e quem o tem pode dar-se ao luxo de vida dissoluta porque todos os disparates podem ser pagos e lavados com o dinheiro.
O cónego Albano, o fundador do Reconquista, chamava ao dinheiro “esterco do diabo”. Que eu saiba o esterco não lava nada, mas suja ainda mais os que nele mexem. Querem lavar com dinheiro situações degradantes, cheira-me a corrupção da pior espécie: sei que te fiz mal, mas toma lá dinheiro para te venderes e calares. Não dignifica quem o dá, nem quem o recebe… O dinheiro passa a valer mais do que a honra, a dignidade, ou a integridade da pessoa ofendida, porque na opinião pública tudo repara. Enfim, a quem tem dinheiro, tudo é permitido; “o dinheiro tudo paga”… Diz o nº 55 da Evangelii Gaudium: falando da idolatria do dinheiro afirma: “uma das causas desta situação está na relação estabelecida com o dinheiro, porque aceitamos pacificamente o seu domínio sobre nós e sobre as nossas sociedades. A crise financeira que atravessamos faz-nos esquecer que, na sua origem, há uma crise antropológica profunda: a negação da primazia do ser humano. Criámos novos ídolos. A adoração do antigo bezerro de ouro, encontrou uma nova e cruel versão no fetichismo do dinheiro e da ditadura de uma economia sem rosto e sem objetivo verdadeiramente humano. A crise mundial, que acomete as finanças e a economia, põe a descoberto os seus próprios desequilíbrios e sobretudo a grave carência de uma orientação antropológica que reduz o ser humano apenas a uma das suas necessidades: o consumo”
Agostinho Dias
[email protected]É corrente na nossa sociedade o pagamento de multas, indemnizações, ou outros pagamentos do género, para sancionar “crimes” cometidos. Transgrediste no trânsito, o caso resolve-se com multa; abusaste de alguém, tens de lhe dar uma indeminização monetária; foste despedido sem justa causa, a entidade patronal tem de te indemnizar, isto só para citar alguns exemplos. Parece que o dinheiro lava todos os crimes, branqueia e repara todas as situações. O dinheiro aparece como o valor supremo e quem o tem pode dar-se ao luxo de vida dissoluta porque todos os disparates podem ser pagos e lavados com o dinheiro.
O cónego Albano, o fundador do Reconquista, chamava ao dinheiro “esterco do diabo”. Que eu saiba o esterco não lava nada, mas suja ainda mais os que nele mexem. Querem lavar com dinheiro situações degradantes, cheira-me a corrupção da pior espécie: sei que te fiz mal, mas toma lá dinheiro para te venderes e calares. Não dignifica quem o dá, nem quem o recebe… O dinheiro passa a valer mais do que a honra, a dignidade, ou a integridade da pessoa ofendida, porque na opinião pública tudo repara. Enfim, a quem tem dinheiro, tudo é permitido; “o dinheiro tudo paga”… Diz o nº 55 da Evangelii Gaudium: falando da idolatria do dinheiro afirma: “uma das causas desta situação está na relação estabelecida com o dinheiro, porque aceitamos pacificamente o seu domínio sobre nós e sobre as nossas sociedades. A crise financeira que atravessamos faz-nos esquecer que, na sua origem, há uma crise antropológica profunda: a negação da primazia do ser humano. Criámos novos ídolos. A adoração do antigo bezerro de ouro, encontrou uma nova e cruel versão no fetichismo do dinheiro e da ditadura de uma economia sem rosto e sem objetivo verdadeiramente humano. A crise mundial, que acomete as finanças e a economia, põe a descoberto os seus próprios desequilíbrios e sobretudo a grave carência de uma orientação antropológica que reduz o ser humano apenas a uma das suas necessidades: o consumo”
Agostinho Dias
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