No dia 14 de julho o Conselho de Ministros reuniu em Pampilhosa da Serra com o intuito de chamar a atenção do país para os problemas do interior de Portugal. Boas intenções com poucas ações! Sem em 2011, o censo à nossa população dizia que o distrito de Castelo Branco tinha perdido mais de 12 mil habitantes, temo que nos censos de 2021 esse número se agrave e muito, se nada for feito entretanto. Aqui o capital humano é fundamental. Já não nascem praticamente crianças nas nossas aldeias do interior; os idosos, embora tenham mais longevidade vão morrendo muitos todos os anos. Não há praticamente imigração para estes territórios. As aldeias vão acabando…
Não há de fato políticas ativas que contribuam para a fixação das pessoas. Abrem-se mais vagas nos politécnicos do interior, mas no fim do curso nem os naturais da região por cá ficam, por não terem postos de trabalho nem dinâmicas económicas regionais. Criam-se incubadoras de empresas nos maiores agregados populacionais, mas, se porventura há empresas em incubação, elas acabam por não se fixar aqui; ficamos longe de todos os centros de decisão, têm de pagar portagens para exportar os seus produtos e transportar as matérias primas, não têm mão de obra qualificada que aqui se queira fixar. Enfim, tantas dificuldades, que acabam por ir para outras paragens.
A coesão territorial enche a boca dos nossos governantes, mas o que é fato é que ainda não transferiram qualquer serviço para o interior do país, e continuam a fechar os parcos serviços públicos que ainda subsistem. Nas aldeias já quase não há casais em idade fértil e por isso pouco adiantam as políticas de apoio à natalidade. Tudo isto mostra que o problema da interioridade tem de ser levado muito a sério, e que os políticos não se podem lembrar de nós só quando precisam de votos, ou pior quando há tragédias como a dos fogos.