O governo está a apresentar um orçamento suplementar que prevê para este ano um défice superior a 6% do PIB, e uma despesa pública da ordem do 134% do PIB. É endividamento que, apesar das possíveis ajudas da União Europeia, nós teremos certamente de pagar, mesmo com sacrifício. Este endividamento é para ajudar as empresas a manter os postos de trabalho, é para ajudar os desempregados, é para ajudar o investimento, é para reforçar o sistema de saúde abalado pela pandemia que nos assolou, etc., etc., Será bom que ninguém fique para trás, e também que ninguém queira açambarcar indevidamente o que pertence aos outros. Só assim juntos e unidos poderemos vencer esta crise.
Lembro aqui as palavras oportunas do cardeal Tolentino Mendonça no seu discurso do 10 de junho: “A raíz da civilização é a comunidade. Não há super-homens. A comunidade não se reforça esquecendo as periferias”. A prepósito recordou os idosos que considerou “em situação de risco”, bem como os jovens adultos e os emigrantes que muitas vezes são excluídos da comunidade nas suas necessidades. São de facto pessoas que muitas vezes ficam para trás nestes apoios orçamentais, por não parecerem tão importantes nas sociedades a que pertencem. Espero que não fiquem para trás nestes apoios sociais. Só “cuidando das muitas partes, estamos juntos a edificar o todo” – disse Tolentino Mendonça.
Lembrou ainda no seu discurso outro aspeto que não podemos esquecer: “a ecologia integral que exige um novo pacto ambiental” temos de ser cuidadores sensatos do ambiente, e não exploradores dos recursos ambientais a qualquer preço, como nos recorda o papa Francisco no Laudato Si. Espero por isso que o orçamento suplementar não seja para servir ideologias, interesses particulares ou abusadores, mas que esteja verdadeiramente ao serviço do bem comum.
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